17 setembro 2009

Artificialidade X Individualidade

Para ilustrar um pouco algumas questões a serem levantadas, imagine o caso em que eu pudesse pegar uma pequena parte do meu cérebro e substituir por uma parte em mesma porção, e com as mesmas funcionalidades, de um cérebro eletrônico artificial. Ainda, imagine que eu pudesse pegar todas as informações que estavam na parte biológica e pudesse transferir para esta nova parte artificial. De certa forma, eu ainda teria as lembranças que eu teria perdido caso não pudesse fazer essa transferência. Logo, isso não afetaria a minha consciência e lembranças, ou afetaria?

Agora, imagine que eu fosse substituindo lentamente e gradativamente o meu cérebro por partes eletrônicas até que todo o meu cérebro fosse artificial. Ainda seria eu? E se não fosse, eu teria morrido e um outro eu teria assumido o meu lugar? Ele acharia que era eu por ter as mesmas lembranças, conhecimentos e forma de agir que eu?

O segundo caso está relacionado com a idéia do livro de Briggs (1989) que diz que "a cada ano, 98% dos átomos do nosso corpo são substituídos". Então eu, agora, ainda sou o mesmo do ano passado? ou será que sou outra pessoa com as memórias da pessoa que eu era a um ano atrás e que acha que eu sou a mesma pessoa porque ainda tenho as lembranças como se eu mesmo as tivesse vivenciado?

Ambos os casos, o do cérebro artificial e o da substituição dos átomos, não são parecidas?

REFERÊNCIAS
Briggs, J.; Peat, F.D.; Tavernise, C. Turbulent mirror: An illustrated guide to chaos theory and the science of wholeness. Harper & Row New York, 1989.

14 maio 2009

Deixe-me Voar

Nem sempre eu tive a consciência
de que as cores que eu via
não eram as mesmas que você.

Quem dera ser tão simples
interpretar os dizeres de um sábio.

Já em minha singela infância
perduravam pensamentos sombrios
que dia e noite me atormentavam.
Eu sempre soube que era diferente
e que as cores que eu via
não se afiguravam, nem de longe,
às mesmas que você podia perceber.

Entretanto de tantos e tantos,
ainda que eu via o mundo
como algo disforme e raso,
não é que eu não o apreciasse
tanto quanto você.

Ainda que minhas memórias
fossem incoerentes e perdidas
em um vão espaço de ilusão,
não significava, em momento algum,
que eu não pudesse construir
meu próprio vórtice temporal.

Podes me dizer, meu pai,
sem remorsos e sem ressentimentos,
que para você eu nunca fui o mais esperto
dos filhos que tu colocastes neste mundo.

Mas não sou apenas resultado genético de
milhares de eras da dita seleção natural
e que pertence intrinsecamente
à prole e ao legado dessa esfera.

É simplesmente um disparate copioso
você, em sua sumptuosa postura
no pedestal da qual te qualificastes,
julgar que algum dia sequer
eu cheguei a planear minhas idéias
assim como você constrói as suas.

Haja quem me dê asas para voar
e me abasteça de ar para respirar.
Haja quem me dê bom vinho para beber
e que em minha embriagues eu possa sonhar.

Não me julgues de forma tão insípida e estúpida
como vens me julgando até agora.
Isso só condiz com uma ignorância pedante
provinda das fontes da qual bebestes.

Deixe-me voar, porque eu preciso voar para viver,
deixe-me sonhar, pois eu preciso sonhar para ser,
deixe-me ter as minhas próprias fundamentações,
deixe-me ter minhas próprias memórias,
deixe-me libertar a mim de meu próprio corpo,
deixe-me libertar a minha mente das correntes de ferro,
deixe-me voar, pois eu quero voar. Eu preciso...
E por fim, não me faça gritar.

Noctis Lupus – 15/05/2009.

07 fevereiro 2009

Despertando em Sonhos

Acordar... Sonhar... Viver...
A vida apenas confunde e desfaz
verdades e mentiras do mundo que criamos.
O sonho nos ilude e acolhe nossos prantos.
Nossa existência é apenas poeira e folhas
a voar pela brisa fria da noite.
Separar sonho e realidade é impossível.
A realidade não passa de mais um sonho
e o mundo não é apenas
o que você pode ver ou sentir.
Desperte para os sonhos
e liberte-se da realidade.

Noctis Lupus - 13/08/2001